VAMOS AJUDAR O BEBÊ RECHONCHUDO
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VAMOS AJUDAR O BEBÊ RECHONCHUDO

 Artigo 8,jan.2018

                          VAMOS AJUDAR O BEBÊ RECHONCHUDO

ELE está ai, bem jovem ainda, um bebê simpático, corado, rechonchudo, sorridente e, certamente por isso tudo, inocente. Brinca e ri, como todo garoto. Pena que vai crescer, como ouvi um dia de uma senhora inteligente ao ser apresentada, pelos pais orgulhosos, ao rebento bonito e bem cuidado.  E como crescem e se transformam rápido, rebentos e anos novos. Estes últimos especialmente. Nem bem os rojões silenciaram, desapareceram, envolvidos em fumaça, os fogos coloridos, esvaziadas as taças de champanha, abandonadas e mutiladas no chão sujo as serpentinas, misturados os confetes à poeira, e o riso, a alegria, começam a esmaecer do rosto já não tão corado e rechonchudo do menino-ano que nasceu no alvorecer  de 2018.

É ASSIM, não posso testemunhar, mas é o que dizem e escrevem os historiadores, desde o começo dos tempos, desde que na Mesopotâmia inventaram o tal calendário divisor do tempo em fatias fictícias. Correta a comparação com o começo da vida de todos nós. Nascemos puros, crescemos na felicidade da inocência, aos 10, 12 anos começamos a levar o choque de uma realidade difícil de ser entendida, buscamos reencontrar e manter a alegria mais exuberante na juventude das descobertas do mundo e do amor, até que novos, inesperados e agressivos rojões nos despertem mostrando-nos que nem tudo seriam flores.

MAL nasceu, e o menino 2018 começa a cogitar se teria valido a pena assumir o lugar de seu antecessor, o velho e aposentado 2017. Dele herdou algumas perspectivas saudáveis junto a problemas e crises que se eternizam, transmitidas a cada 12 meses pelos que os antecederam. Olhando pela porta que se abriu no dia 31, a  estrada a percorrer no dia a dia que somam 365, não é das mais aprazíveis. Há muitos buracos pela frente, muita lama, lixo e detritos morais, éticos, para enfrentar. Muito esgoto a céu aberto, muitas inundações de mau-caratismo, de traição, de inveja, de desonestidade. Corruptos por todos os lados da via tortuosa. Propinodutos a cada esquina. Violência sem coibição e punição em cada cruzamento, balas perdidas matam inocentes, favelas e presídios comandados pela máfia de traficantes, a polícia não consegue enfrentá-los, nem prende-los, como acontece nos países civilizados. “Ninguém foi preso”, é o que se lê e se ouve, pois perícia técnica não funciona por aqui.

MAS nem tudo são desamores no destino do menino hoje com oito dias de vida. É preciso, é imperioso, procurar o lado saudável de sua caminhada agora iniciada. Ele existe sim, para nossa e dele tranquilidade e esperança. Não podemos ficar a chorar e a lamentar, pois isso pega. A esperança maior é a de que o nosso povo, o eleitor, tenha aprendido depois de tantos erros cometidos na  antigamente chamada boca da urna, que urna não temos mais, melhor dizendo, na hora de apertar a tecla eletrônica certa, repito, tenha aprendido a rejeitar os velhos e nada confiáveis candidatos que fazem da safadeza seu programa de mandatário eleito pelos enganados, alienados, idiotizados. Escolher e votar, depois de bem analisar o passado, o currículo, a vida pregressa do seu candidato. Ter certeza de seu compromisso de pensar, agir e se preocupar apenas com o país, com o seu estado, o seu município, com o seu povo, com os que nele acreditaram e votaram.

A ESPERANÇA de dias melhores no novo ano não pode ser um sentimento vazio, sem conteúdo, sem justificativa concreta. Mesmo com todos os percalços enfrentados no que passou e nos que passaram antes, há motivos para acreditar que o recém-chegado possa ser melhor. Os que assumiram a massa quase falida da República têm demonstrado o desejo de recuperar o que se perdeu na irresponsabilidade e no assalto ao patrimônio público. A Petrobrás, e outras brás, foram algumas das vítimas da bandidagem sistematizada, reveladas e punidas pelo Mensalão, do ministro Joaquim Barbosa, e pela Lava Jato, do juiz Sérgio Moro e de seus seguidores.

JÁ existem sinais visíveis de que nem tudo foi ou  está perdido. Para citar alguns clarões na noite ainda penumbrosa do nosso espoliado país, basta lembrar os índices surpreendentes de baixa da inflação, das taxas básicas dos juros, da cotação do dólar e de outras moedas, da queda do desemprego, da alta das ações, da aprovação da reforma trabalhista sem prejudicar o trabalhador, pois veio para salvar seu emprego e salário. Falta muito ainda a ser  feito, por isso mesmo não devemos desanimar nem deixar de colaborar e de incentivar. Jogando o pessimismo, que às vezes nos assalta, na lata de lixo mais próxima.

VOLTO a insistir, o governo não pode tudo, ele depende de nossa ajuda, de nossa colaboração.Votando nos honestos, rejeitando e denunciando os corruptos,  incentivando e aplaudindo, independentemente de partidos e doutrinas, o que for correto, o que for melhor para todos. Talvez, com  nossa colaboração, o menininho corado, robusto e sorridente chegue ao fim dos doze meses do  calendário da Folhinha Mariana – aquela  criada em 1870  por D. Silvério, bispo da mineira Mariana, e que circula ainda – sem a decrepitude  e a tristeza dos que o antecederam.
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                      Blog: fabiopdoyle.zip.net
Fábio P. Doyle

Da Academia Mineira de Letras

Jornalista

Colunista – Colaborador da 2/1 Revista Eletrônica

0 0 120 08 janeiro, 2018 Cultura Organizacional janeiro 8, 2018

Sobre o autor

CEO e Co-fundador da 2/1 Revista Eletrônica, Relações Corporativas, Ombudsman, atuou no Jornal O GLOBO (GRUPO GLOBO), Diário da Tarde (Diários Associados), Pohlig Heckel do Brasil (Grupo Belgo Mineira) e Diretor de Relações Públicas do Rotary Club

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