Anastasia e TCU desconsideram debates na CMBH e ALMG sobre Aeroporto da Pampulha
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Anastasia e TCU desconsideram debates na CMBH e ALMG sobre Aeroporto da Pampulha

Em despacho pouco antes da virada do ano, o ministro do TCU Bruno Dantas, a pedido do Senador Antonio Anastasia, determinou a suspensão da portaria 911 de 24 de outubro de 2017 que liberava voos interestaduais no Aeroporto da Pampulha em Belo Horizonte. A alegação do ministro é que o ato ocorreu de forma “aparentemente açodada e sem motivação idônea”, não sendo justificadas a relevância e a urgência das medidas.

Já o senador Anastasia considera a decisão uma “aberração sem motivos ou justificação”. Considera que a opinião dos que são favoráveis não tem qualquer valor, chama o ato de ante democrático. O ministro, bem como o senador, não devem ter conhecimento que o assunto vem sendo discutido com a sociedade belo-horizontina e mineira há pelo menos 3 anos, em sucessivas audiências publicas.

Como um dos articuladores de Confins e sem compreender, a principio o significado da Pampulha para a economia de BH, inclusive para a própria consolidação de Confins, o senador embora bem intencionado, subjuga aqueles que pensam diferente, e desejam a volta de alguns voos para o aeroporto central. Pampulha pode salvar a economia de BH que está em frangalhos, há tempos.

Anastasia, vale ressaltar é a reencarnação do advogado de Florença que virou filósofo e entrou para a história como aquele que compreendeu a lógica do poder, soube transitar e ficar ao lado de quem manda. Refiro-me a “Nicolau Maquiavel”. O filósofo foi injustiçado pela história e pelo povo que lhe atribui de forma errada termo pejorativo para qualificar uma ação sorrateira.

O termo agir “maquiavelicamente” não cabe no que se propõe no dito popular, mas cabe no ato de agir com inteligência, usando a lógica, a razão e o bom senso. Poucas pessoas em Minas Gerais gozam de tanto prestigio, sabem agir com inteligência “maquiavélica” como Anastasia. Por estas e outras que ele é quase uma unanimidade, respeitado e admirado até por adversários políticos.

Porém no caso do aeroporto da Pampulha, ao que parece não está conseguindo abstrair e enxergar seus beneficios para o conjunto da obra. Ele cita “falta de segurança, decisão anti-democrática e açodada”, fala de “garantias que o estado deu para a concessionária de Confins e clama pela credibilidade de Minas”. Fala ainda de “decisão monocrática e precipitada”. Será? Se existem garantias, elas não são explicitas e não estão escritas.

A reabertura do Aeroporto da Pampulha vem sendo discutida há mais de 3 anos, em sucessivas audiências públicas na CMBH na ALMG, e em associações, tendo muita gente a favor e outras tantas contra. Portanto, o tema divide opiniões, mas não é novo. Não sei se é ingenuidade, mas cabe perguntar ao senador: que interesses poderiam ter os políticos de MG em Brasília que defendem a reativação da Pampulha, se não a prosperidade de BH?

Dizer que há risco de segurança, significa que toda a diretoria da Infraero e da ANAC são incompetentes, uma vez que atestam as garantias de operação do aeroporto. Até recentemente Pampulha recebia 3 milhões de passageiros em pousos e decolagens feitos por aviões muito menos modernos. Quem não lembra do “sucatão da Vasp”, Boieng 727-200? O estampido das turbinas eram ouvidos na Savassi na hora da decolagem.

Nenhum morador das proximidades chegou antes, todos chegaram depois do aeroporto. Nunca houve um acidente grave que afetasse a segurança de moradores, por quê teria agora? A decisão de morar próximo ao aeroporto foi individual. Lembro ainda que as aeronaves de hoje não emitem ruídos comparados aos que existiam há 20 anos. Do contrário não poderiam operar em Congonhas ou em qualquer aeroporto central do país. Os cidadãos de lá não são diferentes dos de cá…

Com efeito, em que pese à boa intenção e a legitimidade do senador, o respeito que temos por ele, as motivações para o retorno das operações no Aeroporto da Pampulha jamais se confundem com o sucesso de Confins. Todos querem Confins próspero juntamente com vetor norte e ninguém será insano de trabalhar contra. O que está acontecendo é erro de tradução do que vai acontecer. Um certo sofrimento antecipado, desnecessário.

Confins e Pampulha em conjunto ganham força para o destino e 10% do volume de voos que tem BH como destino, não é ameaça para o Aeroporto Internacional. Muito antes pelo contrário, fomenta os negócios e garante a sobrevivência de todos, em especial dos negócios, dos eventos que estão deixando de vir para a capital. Por BH Senador, reveja sua decisão e faça justiça.

José Aparecido Ribeiro
Jornalista e blogueiro no portal uai.com.br – DRT MG 17.076
31-99953-7945
Colunista das revistas Minas em Cena, Mercado Comum e Exclusive
jaribeirobh@gmail.com

Colunista / Colaborador da 2/1 Revista Eletrônica

0 0 990 05 janeiro, 2018 Mix Informações janeiro 5, 2018

Sobre o autor

CEO e Co-fundador da 2/1 Revista Eletrônica, Relações Corporativas, Ombudsman, atuou no Jornal O GLOBO (GRUPO GLOBO), Diário da Tarde (Diários Associados), Pohlig Heckel do Brasil (Grupo Belgo Mineira) e Diretor de Relações Públicas do Rotary Club

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