Está na hora. Para-arranca, prende-solta.
Publicado por

Está na hora. Para-arranca, prende-solta.

    Artigo 11.dez.2017

   Está na hora. Para-arranca, prende-solta.
ESTÁ chegando a hora. Esta semana será  a última para  a decisão final e definitiva. Se os ilustres e nada patrióticos senhores deputados não assumirem o compromisso de dar o quórum de 308, de votar e de aprovar o texto, esvaziado e enxuto para agradar a eles, da Reforma da Previdência, só Deus poderá salvar o Brasil da bancarrota financeira, logo, social. Deixar para o próximo ano, ou para o próximo governo a ser eleito em outubro, como querem muitos alucinados, é acreditar no inacreditável, é confiar no inconfiável.

MUITOS foram os responsáveis pela paralisação do projeto elaborado por Henrique Meirelles e pela equipe técnica sob seu comando. Paralisação que  tornou a Reforma quase inviável, como desabafou, há dias, o presidente da Câmara dos Deputados,  Rodrigo Maia. Outro Rodrigo, o Janot, ex-Procurador Geral da República, seria o responsável maior pela demora, pelo adiamento. Com as duas denúncias, inconsistentes, forçadas, frágeis, maldosas, contra  o presidente Temer, o sr. Janot conseguiu paralisar o governo e a tramitação normal do projeto no Congresso. Todas as atenções dos meios políticos e governamentais ficaram focadas no denuncismo vazio do então PGR. A Previdência ficou esquecida até a rejeição do factóide que ele inventou.OUTRO vilão a trabalhar contra o interesse público, que reclama mudanças rápidas e efetivas na área previdenciária, foi em primeiro lugar o PSDB, marcadamente o grupo paulista, que se posicionou contra o projeto e contra o governo. Apesar de dividido, pois a parte lúcida do tucanato queria votar a favor, a confusão prejudicou e continua a prejudicar a aprovação desejada.

TEMER, Meirelles e os que pensam grande, não desistiram. Insistiram. Convenceram. Tudo indica que agora será possível votar a aprovar. É o que veremos a partir de hoje. Pois a chance é a derradeira, a última, a final. Se não for aproveitada, “bye bye” Brasil!

ÊTA assunto chato, cansativo, repetitivo, manipulado pelo mau caratismo. O jeito é esperar e passar para temas mais amenos. Ou quase.

COMO o caso do político que passava os dias soltos e as noites na prisão. Ao voltar para o seu abrigo noturno gradeado, levou, escondidos na cueca, um pedaço de queijo e alguns biscoitos. Todos sabem, felizmente só por ouvir dizer, que o cardápio servido nos presídios é insosso, pobre e pouco.  Daí o contrabando alimentício que é quase uma praxe nas prisões brasileiras. Por azar, o reforço alimentar, que não custou mais de 20 reais, foi descoberto. Foi o bastante para a autoridade prisional convocar a imprensa, as redes de tv, para exibir para todo o país, como se fosse a arma de um crime bárbaro, o pedaço do queijo de Minas e os biscoitos  quebrados na euforia da apreensão. Uma comemoração exagerada, uma exibição idiota, uma humilhação indevida. Bastaria recolher as migalhas achadas, advertir o que as colocou na cueca, e pronto. Para que mais?

O EPISÓDIO me fez lembrar outro, acontecido há muitos anos, em Belo Horizonte, e que provocou minha crítica, meu protesto, em artigo que publiquei na época. Foi o caso da prisão de um jovem banqueiro investigado por algum deslize financeiro. Preso e algemado, em sua casa, diante de sua família assustada, dos vizinhos perplexos, apesar de não oferecer resistência, da forma pacífica, mas dolorosa, com que recebeu os agentes da lei. Os que deram a ordem de prisão convocaram os jornais, as tvs, as emissoras de rádio, e o o exibiram, constrangido, algemado, como um troféu inglório,  para o “ilustre público”. Com justa revolta pela cena grotesca e injustificável, fiz o meu protesto solitário, mas registrado nas páginas do jornal. Ao final de tudo, o banqueiro foi absolvido. Mas sua imagem, algemado e humilhado, nunca mais o abandonou.

E MAIS outro. O que aconteceu com o ex-ministro Romero Jucá dentro de um avião. Sentado em silêncio em sua poltrona dentro do jato lotado, foi surpreendido, já em pleno vôo, por uma passageira histérica, amalucada, provavelmente mal-amada, que se postou em pé, diante dele, com celular na mão filmando tudo, e o agrediu verbalmente, quase também fisicamente, chamando-o de “ladrão”, “bandido”, “corrupto” e outros de calão pior. A tripulação, as aeromoças, nada fizeram para impedir o ato grosseiro e incivilizado, que quebrou a tranquilidade a bordo. Faço o registro não a favor de Jucá, mas de espanto e de condenação a uma atitude que merece a reprovação das pessoas dotadas de bom senso e boa educação. Todo ser humano, qualquer que ele seja, merece ser tratado com respeito e educação. Foi o que aprendi com meus pais, com minha família, com a vida.

JÁ elogiei o ministro Gilmar Mendes, por sua coragem em dizer verdades quase sempre omitidas. E já o critiquei, e volto a criticar, por decisões insólitas, absurdas, destituídas de bom senso e desrespeitosas para com o  Poder Judiciário. Por três vezes ele desautorizou a cassou a decisão de um juiz que decretou a prisão de suspeitos sob investigação criminal. Suspeitos que teriam com ele ligações de amizade. Parece que sua intenção, em assim agir, seria, além de provocar polêmica, como é de seu estilo, desafiar os que discordam de suas atitudes, e ficar nas manchetes, nas telas das tvs. Salvo seja. O que não combina com o que se espera de um sobrejuiz.

“PARA-ARRANCA, para-arranca”. Foi como um visitante carioca definiu o trânsito sempre engarrafado e confuso em BH. E explicou, de 100 em 100 metros, em cada esquina, um semáforo obriga o motorista a parar no sinal vermelho e arrancar no verde. Adaptando sua definição ao que acontece hoje no Judiciário brasileiro, vide Gilmar e outros, poderia dizer que no Brasil vigora o “prende-solta, prende-solta”… Data venia.

                                                                                                                                                                                                                                                                               Blog: fabiopdoyle.zip.net
Fábio P. DoyleDa Academia Mineira de Letras

Jornalista

Colunista / Colaborador da 2/1 Revista Eletrônica
      
0 0 290 11 dezembro, 2017 Cultura Organizacional dezembro 11, 2017

Sobre o autor

CEO e Co-fundador da 2/1 Revista Eletrônica, Relações Corporativas, Ombudsman, atuou no Jornal O GLOBO (GRUPO GLOBO), Diário da Tarde (Diários Associados), Pohlig Heckel do Brasil (Grupo Belgo Mineira) e Diretor de Relações Públicas do Rotary Club

Ver todos os artigos por Jean Hausemer

Postagens relacionadas

Artigos recentes

  • Temer nega ter autorizado Rocha Loures a negociar em seu nome
    Temer nega ter autorizado Rocha Loures a negociar em seu nome
  • Moscou registra o mês mais escuro de sua história
  • Carro invade calçadão da praia de Copacabana e deixa feridos
  • Cotação do real em relação ao euro e ao dólar
  • Segurança em foco
  • Meliá lança campanha Super Sale com até 40% OFF em diversos destinos ao redor do mundo
  • Literatura para todos