Queda nas bolsas: crash ou reajuste natural?
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Queda nas bolsas: crash ou reajuste natural?

ECONOMIA

Desvalorização histórica em Wall Street, perdas recordes na bolsa de valores de Tóquio e perspectivas sombrias para o índice alemão Dax levam a especulação sobre a tendência nos mercados financeiros.

Especialistas acompanham evolução negativa do mercado de ações em Nova YorkEspecialistas acompanham evolução negativa do mercado de ações em Nova York

O principal índice da Bolsa de Valores de Tóquio, o Nikkei 225, afundou mais de mil pontos nesta terça-feira (06/02) – a maior perda diária do indicador desde 2016. O pregão japonês fechou com queda de 4,73%, aos 21.610,24 pontos, após um dia em que chegou a despencar mais de 7%.

Outras cotações asiáticas também recuaram expressivamente nesta terça. Em Hong Kong, o índice Hang Seng perdeu 5,12%, enquanto o Xangai Composite caiu mais de 3% na China.

Leia mais: Queda em Wall Street derruba bolsas europeias

Segundo analistas, o cenário europeu foi afetado tanto pelas retrações históricas de Wall Street na segunda-feira quanto pelas bolsas asiáticas e, também nesta terça, não apresentava quadros inspiradores para os investidores.

Na abertura da bolsa de Frankfurt, o indicador alemão Dax já registrava queda de 3,6%. Londres caiu 3,5%, e Paris perdeu 3,4%, embora as quedas tenham ficado mais moderadas no final da manhã.

O panorama que antecedeu o recuo das bolsas europeias foi a pior perda diária em pontos do americano Dow Jones, que registrou queda de 1.175 na segunda-feira, fechando o pregão com 24.346 pontos.

Os motivos responsáveis pelas quedas vertiginosas em Wall Street seriam, segundo especialistas, as preocupações de muitos investidores com o possível aumento da taxa básica de juros nos Estados Unidos.

“O que está acontecendo desde a noite passada pode ser definido como crash“, disse o gestor de portfólio Thomas Altmann, da administradora de investimentos QC Partners. “Muitos investidores entraram em pânico. Todos querem sair pela mesma porta.”

Na manhã desta terça, o Dax alemão dava indicações de que lutaria para se manter a marca dos 12 mil pontos, anulando assim todos os ganhos registrados desde agosto do ano passado. Para analistas, apenas poucos investidores teriam vendido suas ações “voluntariamente” – a maior parte teria sido praticamente obrigada a vender por causa do colapso rasante dos preços.

Especialistas acreditam que os mercados mundiais estejam sendo agitados pelo temor de que o tempo do dinheiro barato esteja perto de acabar e que os investidores estariam especulando com um aumento mais veloz do que o esperado nas taxas de juros, especialmente as dos Estados Unidos.

Correção atrasada

Os analistas avaliam que há bons motivos para que os investidores pressionem pela venda das ações, já que as quedas nos índices mundiais foram precedidas por uma “festa nas bolsas”. Nas últimas semanas, havia apenas uma direção nos mercados de ações: para o alto.

Há pouco tempo o alemão Dax, por xemplo, registrou um novo recorde, algo que também estava acontecendo com frequência nos índices dos Estados Unidos.

“Depois de uma alta tão forte, a correção, na verdade, já estava atrasada”, avalia Felix Herrmann, estrategista de mercados de capitais no gigante de investimentos Blackrock, na Alemanha. “Dá quase para falar que [o cenário atual] tem um caráter saudável” – uma interpretação com a qual muitos especialistas em bolsas de valores andam concordando atualmente.

Índices de ações em tela do pregão da Bolsa de Wall Street, em Nova York, mostram queda vertiginosa do índice Dow Jones no dia 5 de fevereiro de 2018Bolsa de Valores de Nova York teve maior queda histórica em uma sessão

Por outro lado, o euro registrou forte alta nas últimas semanas, uma evolução que penaliza, ao menos na Europa, empresas de exportação – cujos produtos ficam mais caros em países fora do bloco.

Os investidores também estão principalmente preocupados com os juros nos Estados Unidos, que poderiam subir mais rápido que o esperado. Na segunda, o ex-investidor financeiro Jerome Powell assumiu o comando do Fed, causando insegurança sobre como ele deverá agir à frente do maior banco central do mundo.

Diante da alta de salários e do possível e consequente aumento dos preços, Powell poderia se ver obrigado a aumentar a taa básica de juros num prazo mais curto do que o especulado até agora.

Cascata de dinheiro

O aumento das taxas de juros costuma ser visto como um estraga-prazeres nos mercados financeiros, já que restringe o montante de dinheiro que poderia ser investido em ações, por exemplo.

De fato, seria  difícil explicar os recordes consecutivos de alta nas bolsas mundiais nos últimos meses sem a política de juros baixos ou nulos operada pelos principais bancos centrais do mundo, ou sem a compra de títulos por essas instituições.

Com esse pacote de iniciativas, as autoridades monetárias moedas em todo o planeta inundaram os mercados com dinheiro. Parte dele foi parar nos mercados de ações porque os investidores buscavam lucros e, assim, impulsionaram as altas dos índices nas bolsas.

Agora, os juros voltaram a subir – pelo menos nos EUA. Títulos americanos com vencimento de dez anos têm um rendimento de quase 3%, o que é considerado bastante lucrativo.

Por isso, investidores poderiam se sentir mais motivados para diversificar suas aplicações, saindo dos mercados de ações de alto risco e investindo em títulos do Tesouro americano, que valem como altamente confiáveis.

Por outro lado, essa evolução esconde outro risco. Se os rendimentos de títulos aumentam, seus preços caem – e vice-versa. Assim, se os juros subirem rapidamente, e os investidores venderem suas obrigações para não perderem dinheiro, existe a ameaça de uma espiral de queda no mercado de títulos. “E, se houver uma espiral ali, ficará complicado”, acredita o especialista em bolsas de valores Dirk Müller.

Fonte: Deutsche Welle 

0 0 760 07 fevereiro, 2018 Em Alerta fevereiro 7, 2018

Sobre o autor

CEO e Fundador da 2/1 Revista Eletrônica, Relações Corporativas, Ombudsman, atuou no Jornal O GLOBO (GRUPO GLOBO), Diário da Tarde (Diários Associados), Diário do Comércio, Pohlig Heckel do Brasil (Grupo Belgo Mineira) e Diretor de Relações Públicas do Rotary Club.

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