Os vinhos brancos alemães
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Os vinhos brancos alemães

COLUNA PITADAS

Nem só de riesling vivem as vinícolas da Alemanha. Conheça as principais variedades de uvas brancas cultivadas no país, incluindo uma joia que ainda não foi descoberta e uma especialmente aromática.

Copo de vinho ao lado de uvaOs vinhos brancos corresponderam a mais de 60% da área dedicada à vinicultura na Alemanha

Quando o assunto é etílico, a Alemanha é conhecida internacionalmente não apenas pela cerveja e pelo destilado de ervas Jägermeister, mas também pelo vinho – sobretudo o branco. Em 2013, os vinhos brancos corresponderam a 64,5% da área dedicada à vinicultura na Alemanha.

O riesling é o mais famoso e o favorito deles – merecidamente –, mas há uma série de outras variedades de uvas brancas que são cultivadas no país. Confira as principais:

Riesling

Produzido há séculos no país, é hoje o principal vinho exportado pela Alemanha, considerada a terra natal da variedade. Cerca de metade das uvas riesling produzidas no mundo estão em solo alemão. Há plantações de riesling de norte a sul da Alemanha, e o vinho da região vinícola de Mosel, às margens do rio Mosela, é considerado um dos melhores.

O riesling pode ter graduações alcoólicas variadas: desde delicadamente frutado, com cerca de 10% de álcool, passando por vinhos secos complexos, com até 14% de graduação alcoólica.

No passado, o riesling doce predominava no mercado, mas aos poucos as vinícolas passaram a investir também em vinhos mais secos. Os rieslings secos (trocken) e meio-secos (halbtrocken) combinam sobretudo com pratos leves, como peixe e aves. As variações mais doces harmonizam com queijo fresco. O halbtrocken é meu favorito.

O riesling típico tem uma coloração amarela desbotada, tendendo para um amarelo esverdeado. Essa variedade de uva é uma das mais aromáticas, remetendo principalmente a pêssegos e maçãs. À medida que o vinho amadurece, desaparecem os aromas de frutas e vêm à tona as notas minerais.

A origem do riesling é um mistério. Alguns dizem que foi trazido à Alemanha pelos romanos. Os primeiros registros sobre a variedade datam do século 15, das regiões alemãs do Rheingau e do Mosel.

Rivaner

Também denominada müller-thurgau, esta variedade está presente em sete das 13 regiões vinícolas da Alemanha, ocupando cerca de 13% da área de cultivo total. As principais regiões produtoras são Rheinhessen, Baden e Palatinado (Pfalz).

Quando o vinho traz a denominação rivaner ou müller-thurgau no rótulo, pode-se esperar um vinho seco, relativamente jovem, leve e fresco. De coloração amarelo-palha até amarelo-claro, este vinho é fácil de beber. Daqueles para se beber no dia a dia.

Com algumas exceções, trata-se de um vinho que não se deve armazenar por muito tempo. O sabor é melhor nos primeiros anos após a colheita. Costuma ter aroma floral e levemente frutado, com notas de noz-moscada – o que o deixa levemente doce, mesmo quando se trata de um vinho seco.

Segundo o Instituto Alemão do Vinho (Deutsches Weininstitut), a origem desta variedade remete ao professor Hermann Müller, do cantão suíço de Thurgau, que cultivou a variedade de uva numa área dedicada a pesquisa, a partir de um cruzamento de riesling e madeleine. Já o nome rivaner, seria uma junção das palavras riesling e silvaner, variedades que por muito tempo foram consideradas as raízes do müller-thurgau.

Grauburgunder

Também chamado de grauer burgunder ou pinot gris, corresponde a 5,5% da área dedicada à vinicultura no país. A região de Baden é a que mais produz a variedade na Alemanha.

Quando jovem, um grauburgunder de seco a meio-seco é leve e ótimo para o verão. Variações mais secas vão bem com frutos do mar, massa, cordeiro, carne de caça e queijos moles maduros. Quando doce, o vinho combina com sobremesas com mel, amêndoas ou marzipã.

O pinot gris da Alemanha é mais delicado e floral que o cultivado na Itália. A cor varia de amarelo-palha a dourado. Costuma ter aromas de nozes, manteiga e de frutas, como pera, passas, abacaxi e frutas cítricas.

Weissburgunder

Também conhecido como weisser burgunder ou pinot blanc, este vinho é cultivado sobretudo em Baden, seguido por Rheinhessen e Palatinado. Corresponde a 4,7% da área de produção alemã.

Assim como o grauer burgunder, costuma ter aroma de nozes, maçã, pera, damasco, frutas cítricas e abacaxi. Fácil de beber, vai bem com frutos do mar, peixe, vitela, carne de porco e ave. A cor do vinho é geralmente amarelo-claro.

Silvaner

Cultivado há mais de 350 anos na Alemanha, o silvaner ocupa cerca de 5% da área vinícola do país. As regiões de Rheinhessen e Francônia (Franken) correspondem, juntas, a mais de três quartos da variedade produzida em solo alemão.

Um vinho descomplicado, o silvaner pode ser considerado um dos grandes vinhos alemães que ainda não foram descobertos pelo grande público. Costuma ter aroma de ervas ou groselhas e acidez moderada. Harmoniza com aspargos ou peixe. Quando cultivado em solos mais pesados, pode ganhar um aroma de peras maduras e alcachofras.

O nome da variedade é curioso. Cientistas já especularam se silvaner remeteria à Transilvânia ou a Silvan, uma pequena cidade na Ásia. Hoje, análises genéticas revelaram que se trata de um cruzamento entre traminer – umas das variedades de uva mais antigas de que se tem conhecimento – e österreichisch weiß, da Áustria, o que indica que o silvaner tem suas raízes nos Alpes.

Gewürztraminer

Originário da Alsácia, este vinho ocupa menos de 1% da área de produção vinícola da Alemanha. Mas decidi falar sobre ele porque, depois que o conheci, ele passou ao posto de meu vinho favorito, antes ocupado pelo riesling.

De cor amarelo-dourado, o gewürztraminer é famoso por seu aroma excepcional – frutado (com notas de lichia, por exemplo), florado e toques de especiarias, como canela e gengibre. Em alemão, gewürz significa tempero.

A uva chama a atenção pela cor rosada da casca. O gewürztraminer costuma ser indicado como aperitivo ou na harmonização com pratos apimentados, sobremesas ou queijos fortes.

Além da Alsácia e da Alemanha – Palatinado, Baden, Rheinhessen e Saxônia –, o vinho também é cultivado no Tirol, na Austrália e na Califórnia.

Toda semana, a coluna Pitadas traz receitas, curiosidades e segredos da culinária europeia, contados por Luisa Frey, jornalista aspirante a mestre-cuca.

Autoria Luisa Frey

Fonte:Deutsche Welle

0 0 500 11 março, 2018 Fique Por Dentro março 11, 2018

Sobre o autor

CEO e Fundador da 2/1 Revista Eletrônica, Relações Corporativas, Ombudsman, atuou no Jornal O GLOBO (GRUPO GLOBO), Diário da Tarde (Diários Associados), Diário do Comércio, Pohlig Heckel do Brasil (Grupo Belgo Mineira) e Diretor de Relações Públicas do Rotary Club.

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