Opinião: Queda na bolsa não é motivo para pânico
Publicado por

Opinião: Queda na bolsa não é motivo para pânico

ECONOMIA

Recuo de 4,6% do índice de Wall Street assusta investidores e influencia bolsas de valores pelo mundo. Mas, para o jornalista de economia Henrik Böhme, mercados estavam superaquecidos, e situação vai se acalmar em breve.

USA Börse in New York (Getty Images/S. Platt)

Meu Deus, como esses últimos meses foram monótonos! Ao redor do planeta, os mercados de ações só conheciam uma direção: para cima. Principalmente em Wall Street, o centro do capitalismo financeiro mundial. E principalmente depois que o empresário Donald Trump mudou-se da torre homônima, localizada somente a algumas quadras dali, para a Casa Branca, em Washington.

Um negociador à frente da administração dos EUA – o que pode dar errado? Além disso, taxas de juros historicamente baixas, os “mercados” embebidos com trilhões de dólares e euros, que não encontram aplicação melhor do que ações e imóveis. Um bilhete grátis rumo à felicidade, desde que se tenha a sorte de estar do lado certo da luz.

Leia também:

Queda nas bolsas: crash ou reajuste natural?

Queda em Wall Street derruba bolsas europeias

Henrik Böhme Henrik Böhme é jornalista da redação de economia da DW

Desde que Trump assumiu o poder, o Dow Jones, índice da Bolsa de Nova York, já registrou mais de 70 recordes. Cada um deles foi festejado com um tuíte do próprio chefe. E agora a queda. Quando a bolsa de Wall Street fechou suas atividades, às 16h desta segunda-feira (05/02), marcava uma perda de 4,7%, ou 1.175 pontos, chegando a registrar, temporariamente, queda de 1.600 pontos: a maior perda em pontos ao longo de um único dia de negociação na longa história desse tão importante termômetro das bolsas de valores.

Algum tuíte do @realDonaldTrump? Nenhum.

É claro que agora todos querem saber: por que essa queda? Isso vai continuar? É melhor vender agora? Como os especialistas gostam de dizer: basicamente, tudo está em ordem. As previsões de crescimento para a economia mundial são positivas, sem exceção para todas as regiões do mundo. Mas há alguns motivos que explicam a queda. Por exemplo, os rendimentos de títulos públicos estão em alta. No momento do crash do mercado de ações, nesta segunda-feira, o mercado de títulos também estava em movimento.

E existem algumas razões para se dar as costas ao mercado de ações: a reviravolta das taxas de juros nos EUA é certamente a mais importante. À medida que elas aumentam, há menos razões para investir em ações, considerando que esse mercado está superaquecido. É preferível sair e levar os altos lucros já obtidos.

Além disso, há uma queda adicional no desemprego, associada ao aumento dos salários nos EUA. Isso poderia levar a um aumento de preços, o que, por sua vez, poderia fazer com que o Federal Reserve (Banco Central dos EUA) elevasse as taxas de juros ainda mais do que o planejado.

E, finalmente, alguns analistas em Wall Street estão observando de forma muito crítica a situação política em seu próprio país, especialmente depois que o presidente entrou em confronto com o FBI e todo o Judiciário com a publicação de um memorando controverso. Há investidores, sussurra-se nos corredores da bolsa de valores mais importante do mundo, que estão vendendo suas ações porque Washington ruma para uma crise constitucional.

Como se esses motivos caseiros não bastassem, há ainda os altamente sensíveis programas de computador que controlam quase todo o comércio de ações, e em milissegundos. Se a queda acontece de forma tão rápida como nesta segunda-feira, esses programas aumentam essa tendência, pois emitem novos sinais de venda enquanto os preços caem: é uma bola de neve que fica cada vez maior.

Mas, apesar da agitação que tomou conta do mercado, parece se tratar de um movimento normal de correção. Possivelmente, as cotações podem baixar um pouco mais, mas isso pode ser bom para um mercado superaquecido. Não foi realmente nenhuma “segunda-feira negra”. Pois, primeiramente, a queda já havia se iniciado em Wall Street na sexta-feira, com uma perda de 600 pontos. Em segundo lugar, na única verdadeira “Black Monday”, em 1987, o Dow Jones perdeu 23% de seu valor. Em comparação, a perda de 4,6% desta segunda-feira é bem tímida.

Então não é preciso entrar em pânico. Continue respirando calmamente. E Trump deveria perceber que o mercado de ações tem comparativamente pouco que ver com o que ele faz ou deixa de fazer.

Autoria Henrik Böhme

Fonte; Deutsche Welle

0 0 700 07 fevereiro, 2018 Mix Informações fevereiro 7, 2018

Sobre o autor

CEO e Fundador da 2/1 Revista Eletrônica, Relações Corporativas, Ombudsman, atuou no Jornal O GLOBO (GRUPO GLOBO), Diário da Tarde (Diários Associados), Diário do Comércio, Pohlig Heckel do Brasil (Grupo Belgo Mineira) e Diretor de Relações Públicas do Rotary Club.

Ver todos os artigos por Jean Hausemer

Postagens relacionadas

Artigos recentes

  • Governo disponibiliza Manual do Usuário Web Geral para auxiliar a inclusão de dados no eSocial
    Governo disponibiliza Manual do Usuário Web Geral para auxiliar a inclusão de dados no eSocial
  • Guilherme Afif Domingos defende micro e pequenas empresas durante encontro realizado pelo Secovi-SP
  • Acordo comercial UE-Japão desafia protecionismo de Trump
  • Após dezembro de 2018, Aneel não será mais responsável pela construção de redes e instalações de energia elétricas do Minha Casa, Minha Vida
  • Em crítica velada a Trump, Obama ataca “políticos valentões”
  • Cientistas dizem que edição genética pode ser eticamente aceitável
  • Ortega ataca bastião opositor na Nicarágua