Opinião: Merkel e Putin, adversários confiáveis em tempos de incerteza
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Opinião: Merkel e Putin, adversários confiáveis em tempos de incerteza

OPINIÃO

Angela Merkel e Vladimir Putin se encontraram pela segunda vez em três meses. O clima é frio, mas graças a Donald Trump é possível encontrar pontos em comum, opina Michaela Küfner.

    
Deutschland Treffen Angela Merkel Wladimir Putin auf Schloss Meseberg (Reuters/A. Schmidt)

Em segundo encontro, Merkel e Putin falaram sobre Síria, Ucrânia e o gasoduto Nord Stream 2.

O formato diz tudo: declarações à imprensa apenas antes do encontro. Não são permitidas perguntas. Nos dez minutos em apareceram em público, os dois travam um diálogo de surdos, como um velho casal de políticos. Não é surpreendente depois de mais de uma década de estreita coexistência política.

Quando Merkel fala da grande “responsabilidade” que Berlim e Moscou têm em conflitos como a Síria ou a Ucrânia, isso significa, acima de tudo, estabilidade para o retorno dos refugiados à Síria. É a pressão por causa da discussão interna sobre política de migração. Já em seus esforços para estabilizar a Ucrânia por meio de garantias russas para o fornecimento de gás, ela acaba sendo repelida por Putin.

Tudo porque o presidente russo continua a chamar o gasoduto Nord Stream 2 de um “projeto meramente econômico”. Bem, Merkel também levou anos para admitir publicamente que um gasoduto que só deve ser construído para contornar a Ucrânia possui uma dimensão política. É certamente possível encontrar “outras” áreas para cooperação econômica. A UE é contra isso de qualquer maneira e os EUA já têm sanções contra a Nord Stream 2 engatilhadas.

Deutsche Welle Michaela Kuefner, TV Portrait (DW/B. Geilert)

A jornalista Michaela Küfner.

O que nos leva ao terceira ator invisível desse encontro. Desde que Donald Trump vem saturando o mundo com seu fogo político cruzado, as relações entre Berlim com Moscou de repente não parecem tão ruins assim. E ela foi muito ruim. Desde a anexação da Crimeia pela Rússia, foi sempre Merkel a organizar sanções contra a Rússia. Mas, com Trump, ambos os lados perceberam que esses tempos ruins eram na verdade os bons e velhos tempos de posições confiáveis. Posições claras acabaram se tornando valiosas.

Apesar da interferência russa nas eleições dos EUA e do possível envolvimento de Moscou no ataque de veneno no Reino Unido, eles ainda precisam um do outro. Juntos, temos que evitar o pior, como o fim das negociações nucleares com o Irã.

Há muito tempo ficou claro para Berlim que a situação na Síria só pode ser estabilizada com a ajuda de Moscou. Talvez até com a participação do ditador Bashar al-Assad. Isso não vai sair barato para a Alemanha, Putin já deixou isso claro quando falou da importância da ajuda humanitária para permitir o retorno dos refugiados e mencionou especificamente o fornecimento de água e aquecimento – ou seja, a reconstrução da infraestrutura.

As pessoas se conhecem bem o suficiente para precisar apenas sugerir as coisas em público. Para muitos parceiros de longa data, a louça voa a portas fechadas.

Autoria Michaela Küfner (jps)

Fonte: Deutsche Welle

0 0 280 19 agosto, 2018 Acontecimentos agosto 19, 2018

Sobre o autor

CEO e Fundador da 2/1 Revista Eletrônica, Relações Corporativas, Ombudsman, atuou no Jornal O GLOBO (GRUPO GLOBO), Diário da Tarde (Diários Associados), Diário do Comércio, Pohlig Heckel do Brasil (Grupo Belgo Mineira) e Diretor de Relações Públicas do Rotary Club.

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