O frio causa desânimo. Mas não é só ele
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O frio causa desânimo. Mas não é só ele

Artigo 23.julho.2018

                                                                                 O frio causa desânimo. Mas não é só ele

JÁ notaram como o brasileiro anda meio desanimado, até triste? Percebe-se fácil.Nas ruas, nos clubes, nos bares, mesmo aqueles muito frequentados. Que desânimo, que tristeza!

POR que será? Qual a causa? Várias podem ser listadas, todas com um fundo de verdade. Muitos atribuem este desânimo, esta melancolia e tristeza coletiva, ao clima, ao frio, ao sol fraco e que surge em um céu todo azul, para minutos depois desaparecer coberto por nuvens negras que nem sempre provocam chuva. Mas mais frio.

O FRIO prejudica nosso estado de espírito, em geral animado, alegre. Frio maior para quem mora na cidade, em casas e apartamentos escondidos na sombra, cercados de edificações de muitos pavimentos que não deixam o sol, a sua claridade, o seu calor, nos proporcionar os benefícios  dele decorrentes, como a vitamina D, para a nossa saúde.

UM frio, este ano, mais intenso e desagradável do que estávamos acostumados no inverno. Frio que nos deixa fechados dentro de nossas casas, ou agasalhados com camisetas, camisas, suéteres, casacos, cachecol e meias grossas, alguns, os com menos cabelos, obrigados a cobrir a cabeça com gorros, bonés, chapéus.

FRIO que afeta toda a natureza. Que resseca as plantas, que as faz perder folhas, sem lhes dar, como faz parte do ciclo, as flores coloridas. As que surgem, são pálidas e raras. Como, por exemplo, as cerejeiras lá do Morro do Chapéu, para lá levadas do Japão pelo empresário Hiruji Miura, do grupo nipônico que construiu a Usiminas. Ele, respondendo a um morador acostumado com a explosão cor de rosa das árvores que embelezam ruas, parques e casas daquele condomínio, esclareceu: a culpa é do clima, é do tempo, que este ano está bastante truncado. As cerejeiras (chamadas de beleza feminina, mulher bonita, no Japão), geralmente florescem em setembro-outubro. Depois delas, vêm as flores dos ipês. Neste ano maluco, as flores dos ipês chegaram antes ou junto com as das cerejeiras, enfraquecidas, pálidas, comentou o sábio Miura.

MAS, bem analisando, o desânimo, a tristeza, a falta de entusiasmo que nem a Copa do Mundo conseguiu mudar, com a derrota da seleção brasileira até agravou, podem estar ligados a outros fatores. Menos climáticos, mais problemáticos. Como, quem não sente, sofre e percebe, os provocados pelas crises políticas, econômicas, pelo desemprego, pela miséria, pela corrupção, pelo comportamento nada ético de políticos, parlamentares, governadores, prefeitos, até, para espanto geral, de magistrados de todas as instâncias,  alguns desembargadores e ministros de tribunais superiores. Quem não é afetado pelo que tem acontecido na área dos três poderes constitucionais? Quem não sofre, quem não se constrange, quem não se envergonha diante de tantas demonstrações de desrespeito pelo país, pelo povo brasileiro, pelas leis, pela lei maior? O que fazer, a não ser entristecer-se, desanimar, descrer das instituições e daqueles que deveriam honrá-las?

PERCEBE-SE, sem dificuldade, que tudo o que se tentou nos últimos dois anos, e foram muitas as tentativas de recuperar o que governos desonestos nos legaram, enfrentou a resistência e a sabotagem dos que causaram todos os males que o Brasil enfrenta. Eles conseguiram, na maioria das vezes,  sucesso nas manobras impatrióticas. O arquivamento da Reforma da Previdência, projetada e encaminhada pelo atual governo, Michel Temer, presidente, Henrique Meirelles, ministro da Fazenda, é o mais emblemático. Era, e é, a reforma mais necessária, mais urgente, mais imprescindível para equilibrar as contas públicas de um país de economia falida.

OPOSICIONISTAS que integravam os governos que deram origem à crise, com a ajuda de políticos oportunistas em busca de reeleição fácil, ou de impedir o êxito de uma administração que sonham substituir no Planalto, um deles com os poderes proporcionados pela presidência de uma das casas legislativas, criaram toda sorte de obstáculos e de empecilhos para a tramitação e aprovação da Reforma, que acabou paralisada, adiada, praticamente arquivada. E continuam a criar, com projetos que aumentam despesas demagógicas em busca de votos, o que transformará o próximo presidente em síndico de massa falida.

O GOVERNO Temer-Meirelles acabou naquele episódio. Outros, semelhantes, aconteceram e continuam a acontecer. A sabotagem anti-Brasil continua firme na campanha dos sem caráter. E o temor, generalizado, é que o próximo governo, qualquer que seja ele, não consiga melhorar a situação, não consiga recuperar a economia, não consiga acabar com o déficit das contas públicas, não consiga restabelecer a credibilidade e a confiança interna e externa, no nosso tão maltratado país.

ACREDITO que o frio, como diagnosticou Miura, causa a perda da beleza e da robustez das cerejeiras e de todas as demais plantas. E contribui  para o desânimo, para a falta de entusiasmo, para a tristeza agasalhada que toma conta dos brasileiros. Mas vem da política, da corrupção, da impunidade, do mau caratismo de tantos integrantes dos poderes constitucionais,  a tristeza mais profunda, a descrença, o desânimo maior, a perda da confiança que afeta a todos os  que ainda acreditavam em um futuro melhor. E que, insisto, precisam continuar acreditando.

ALERTO, com o que me resta de otimismo, e resta muito, que talvez nem tudo esteja perdido. Quem sabe surgirá por aí, quem o descobrir me avise, um salvador da pátria, amada, idolatrada? É difícil, mas ter otimismo e esperança é o que nos resta e salva do desalento, da falta de perspectiva.

QUANTO ao tempo triste e feio, o jeito é torcer para que setembro chegue logo, trazendo-nos a primavera e o verão. Afinal, não somos, por temperamento, “homens da neve”. Só em viagem de turismo. O sol é o nosso rei, e a lua, sua companheira fiel, nossa inspiração poética.

Fábio P. Doyle

Da Academia Mineira de Letras 

Jornalista

Colunista / Colaborador da 2/1 Revista Eletrônica & 2POR1 Informações Culturais

0 0 350 23 julho, 2018 Cultura Organizacional julho 23, 2018

Sobre o autor

CEO e Fundador da 2/1 Revista Eletrônica, Relações Corporativas, Ombudsman, atuou no Jornal O GLOBO (GRUPO GLOBO), Diário da Tarde (Diários Associados), Diário do Comércio, Pohlig Heckel do Brasil (Grupo Belgo Mineira) e Diretor de Relações Públicas do Rotary Club.

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