Não me levem a mal. Hoje é Carnaval
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Não me levem a mal. Hoje é Carnaval

                                                                                                                                         Artigo dia 12.fev.2018

  Não me levem a mal. Hoje é Carnaval

HOJE é Carnaval, por favor, não me levem a mal pelos comentários que vou fazer, talvez desagradáveis para alguns, mas baseados na realidade do nosso país. Hoje é Carnaval, diz a talentosa marchinha de Zé Keti e Hildebrando Pereira Matos, gravada por ele e pela eterna Dalva de Oliveira (dar os créditos é meu dever), campeã absoluta em 1967.

EM termos atuais, o “hoje” deveria ser ampliado, pois no Brasil, sempre é Carnaval. No Rio, principalmente, em menor proporção, em SP, no Recife, em Salvador, e até na nossa ainda quase amena BH. Para o carioca anônimo e comum, aquele que circula pelas ruas, enfrenta filas nos guichês, se aperta nos metrôs e nos ônibus sempre lotados, quase sempre desempregado, ou com subemprego, parece que “tristeza não existe”, versinho de outra musiquinha, se bem me lembro. Está sempre alegre, fazendo piadas. Até que um dia ele, ou alguém de sua família, recebe uma bala perdida, ou é fuzilado sem piedade por assaltantes raramente presos e punidos por uma polícia inepta, por um judiciário benevolente e acovardado.

O CARNAVAL é, também, permanente, nos blocos caricatos dos nossos homens públicos, logicamente com as exceções honrosas, que ainda, felizmente, existem, embora raras. E como eles se divertem. Fazem o diabo com o poder que lhes é dado de forma exagerada e, em alguns casos, sabem a quem me refiro, aos que se julgam semideuses, ilimitada. Blocos que estão sempre nas ruas, desde o primeiro até o último dia do ano, mas ignoram as vias esburacadas, atravancadas, poluídas, despoliciadas das nossas cidades. Acontece que eles, e seus blocos caricatos, nunca pisam no chão nosso de cada dia. Circulam alegres, em suas viaturas blindadas e importadas (que nós, contribuintes, pagamos), montados em penduricalhos  salariais de marajás (cadê o folião alagoano?), penduricalhos gordos e imorais, embora legais, segundo eles.

E COMO os patuscos se divertem, carnavalescamente, à custa do pobre contribuinte, do assalariado que tem parte do que recebe por seu trabalho, descontado para  bancar os blindados, as viagens, os auxílios moradia, saúde, educação dos filhos, até do paletó. Além das serpentinas, confetes, e dos adjutórios líquidos e voláteis que os tais blocos caricatos adotaram em substituição da honesta cerveja e do lança-perfume Rodouro de muito antigamente. E riem, dão gargalhadas em nossa cara, na cara dos que tentam contê-los, dos que protestam, dos que se revoltam. Seriam eles, ou nosoutros, o povão, os “mil palhaços no salão”?


MAS chega de saudosismo crítico, de relembrar os tempos das marchinhas e sambas melodiosos, letras e músicas românticas que ainda hoje emocionam os que, de bom gosto, as ouvem nos discos de vinil. Para os seguidores dos trios elétricos, dos frevos, os que criticam são apenas antiquados. Talvez eles tenham razão. Tanto que demonstram muito mais euforia, mais alegria, mais descontração, nos trejeitos e no trajes cada vez mais sumários, do que os “antiquados” no seu tempo. Talvez os quatro dias de folia (quatro apenas?), sejam por eles muito mais aproveitados do que o foram pelos antiquados saudosistas resmungões, em um Carnaval que se transformou, nos novos tempos de licenciosidade explícita, verdadeiramente, em uma festa da carne. Lógico que não aquela vendida no açougue.

OS menos animados com o culto a Momo I e Único, viajam com a família para praias, para montanhas, os mais aburguesados, para as Miami da vida. Há os que preferem ficar nas praias cariocas, outros percorrem ruas, avenidas, túneis e elevados atravancados da cidade que já foi, quando mais religiosa, de São Sebastião, no caminho da ponte que atravessa a baia de Guanabara, gastando mais tempo e paciência. Além do risco de assaltos nas linhas que já foram coloridas.

TUDO isso me faz lembrar o sábio comentário que ouvi de Edrise Nogueira Branco, um cauteloso advogado mineiro: “Só amador viaja nos feriados, nunca um profissional”. O ideal, segundo ele,  é ficar em casa, diante a TV, tomando seu vinho, seu champagne, seu scotch, em boa companhia, com mais segurança e menos despesas. Mas ideal, ensina um velho ditado, é o real sem os seus defeitos. E então, vamos ou não vamos?

BOM Carnaval, moçadas alegres. Vocês merecem espairecer e esquecer, por uns dias, os problemas, as crises, os assaltos de bandidos e de integrantes dos blocos caricatos dos políticos e governantes. Não se preocupem com resmungos de senhores antiquados.
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                       Blog: fabiopdoyle.zip.net

 
FÁBIO P. DOYLE
Da Academia Mineira de Letras
Jornalista
Colunista / Colaborador da 2/1 Revista Eletrônica
0 0 180 12 fevereiro, 2018 Cultura Organizacional fevereiro 12, 2018

Sobre o autor

CEO e Co-fundador da 2/1 Revista Eletrônica, Relações Corporativas, Ombudsman, atuou no Jornal O GLOBO (GRUPO GLOBO), Diário da Tarde (Diários Associados), Pohlig Heckel do Brasil (Grupo Belgo Mineira) e Diretor de Relações Públicas do Rotary Club

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