Cresce interesse por autodefesa na Alemanha
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Cresce interesse por autodefesa na Alemanha

ALEMANHA

Procura por cursos de artes marciais, sprays de pimenta e pistolas de gás aumenta no país, e muitos alemães dizem se sentir inseguros. Pesquisa sugere relação com crescimento da imigração.

Armas não letais para autodefesaArmas não letais para autodefesa são sucesso de venda na Alemanha

Os alemães estão se armando. Cada vez mais pessoas estão tirando licença especial para porte de armas não letais de autodefesa, como spray de pimenta, pistolas de eletrochoque ou a gás. Estas últimas não disparam projéteis letais, mas cartuchos com gás lacrimogêneo. Disparadas a curta distância, porém, podem ter efeito mortal.

Especialmente nos últimos dois anos o número de alemães que adquiriram tal licença aumentou sensivelmente. Em janeiro de 2016, pouco menos de 301 mil pessoas tinham o documento, que é obrigatório desde 2003 para porte de determinados artigos de autodefesa. Em dezembro de 2017 eram mais de 557 mil. Tais produtos têm vendido tão bem, segundo o comércio de armas, que os estoques já não dão conta da demanda.

Também cursos de autodefesa estão tendo grande procura, tanto em academias de artes marciais como em clubes esportivos.

Maioria se sente segura

A sensação de insegurança cresceu na Alemanha entre 2015 e 2017. Numa pesquisa do instituto Infratest Dimap de janeiro de 2017, 32% dos entrevistados disseram se sentir “menos seguros” do que há dois anos, e mais de dois terços afirmaram que a situação, para eles, “não mudou muito” nesse período.

Segundo a pesquisa, 16% dos alemães se sentem “inseguros” e 7%, “muito inseguros”. A maioria (51%) se sente “segura”, e pouco menos de um quarto (24%) disseram se sentir “muito seguros”.

“Quando se trata de violência, apenas uma pequena parcela dos alemães se sente ameaçada no seu cotidiano. Porém, não há estudos científicos de longo prazo”, afirma a socióloga Dina Hummelsheim-Doss, do Instituto Max Planck para Direito Criminal Internacional em Freiburg. Segundo ela, o último levantamento disponível, de 2016, mostra que a sensação geral de insegurança aumentou levemente no país desde 2014.

A sondagem do Infratest Dimap detectou que quase a metade dos alemães evita determinados lugares durante a noite, e um em cada dez carrega consigo armas não letais para autodefesa, como spray de pimenta, pistolas de eletrochoque ou a gás.

Pistola a gásPistola a gás: a curta distância, armamento pode ter efeito letal

Papel da mídia

O período em que o interesse por licenças de armas não letais cresceu coincide com a abertura das fronteiras para migrantes e refugiados, e a sondagem sugere que há uma relação entre os dois fenômenos. Quase um terço dos entrevistados afirma que “estrangeiros e refugiados” é o grupo que mais teme. O segundo grupo mais temido, o dos “neonazis e extremistas de direita”, aparece muito atrás, sendo temido por 13% dos entrevistados.

Hummelsheim-Doss avalia que sobretudo os veículos de comunicação contribuem para essa avaliação. “Esses acontecimentos são comunicados sobretudo pela mídia. Em geral, os cidadãos ficam sabendo deles pela mídia, sem conseguir avaliar diretamente a dimensão do problema em toda a Alemanha. Mas é claro que não se pode descartar que desenvolvimentos sociais – como a migração – levem a sentimentos de insegurança e medo. Porém, uma outra questão é se esses de fato têm fundamento.”

O criminologista e advogado Arthur Kreuzer lembra que o porte de uma arma não garante a segurança de ninguém. “Em situações psicológicas extremas, muitos lançam mão de armas e disparam contra si mesmos ou contra terceiros”, afirma. “Se a arma não estivesse ao alcance, muitas mortes por negligência seriam evitadas.”

Para ele, a tendência da população de se armar não é uma boa notícia. “Uma mentalidade pró-armas está se espalhando, a desconfiança e o medo estão crescendo. A confiança na segurança pública está diminuindo, e o monopólio estatal do uso legítimo da força é, assim, prejudicado”, avalia Kreuzer.

Hummelsheim-Doss destaca ser importante conhecer os reais motivos para o sentimento de insegurança, que muitas vezes não estão relacionados com a criminalidade. “Sabemos que o medo da criminalidade sempre está muito ligado a outros medos. A criminalidade serve como campo de projeção de problemas sociais de outra ordem. Por isso, além das políticas de combate ao crime, é importante avaliar também as preocupações sociais da população”, afirma.

Autoria Kersten Knipp (md)

Fonte:Deutsche Welle

0 0 570 03 fevereiro, 2018 Fatos fevereiro 3, 2018

Sobre o autor

CEO e Fundador da 2/1 Revista Eletrônica, Relações Corporativas, Ombudsman, atuou no Jornal O GLOBO (GRUPO GLOBO), Diário da Tarde (Diários Associados), Diário do Comércio, Pohlig Heckel do Brasil (Grupo Belgo Mineira) e Diretor de Relações Públicas do Rotary Club.

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