“REINADO DE CHICO CALU” INSTIGA O OLHAR PARA TRADIÇÃO DE MATRIZ AFRICANA EM BH
Publicado por

“REINADO DE CHICO CALU” INSTIGA O OLHAR PARA TRADIÇÃO DE MATRIZ AFRICANA EM BH

Mostra reúne fotografias e objetos reproduzindo elementos de um terreiro de congado no Museu Inimá de Paula. Exposição, que celebra os 100 anos da Irmandade Os Carolinos, será aberta no sábado (9/12) com visitação gratuita

Uma exposição sobre os repertórios sagrados da Irmandade Os Carolinos, tradicional reinado negro da capital mineira, será aberta no dia 9/12 no Museu Inimá de Paula. Fotografias, fardas, altares, santos de devoção, mastros, andores, cruzeiros e outros objetos compõe a mostra “Reinado de Chico Calu – Repertórios Sagrados da Irmandade Os Carolinos”. A exposição, que segue em cartaz até o dia 28/1, homenageia o centenário da Irmandade e dá visibilidade a essa manifestação cultural e religiosa que evidencia a riqueza da tradição afro-mineira em Belo Horizonte.

Através de uma narrativa estética que reproduz um terreiro de congado, o público terá acesso a mais de 30 fotografias das guardas da Irmandade impressas em tecidos e emolduradas com estandartes. Elas são registros dos últimos cinco anos de festejos e foram feitas pelo antropólogo e fotógrafo Patrick Arley e pelo fotógrafo Netun Lima. Além das imagens, a mostra apresenta um conjunto de objetos que remontam à religiosidade e sua celebração, instigando um olhar para o presente e o passado, para a cultura de matriz africana que se conformou no Brasil e seus rituais, e para o louvor e a tradição que se mantém por gerações.

Reinado de Chico Calu – Repertórios Sagrados da Irmandade Os Carolinos” faz parte de um projeto aprovado no edital do Fundo Estadual de Cultura de Minas Gerais e traz para o público a memória de uma das mais tradicionais irmandades da cidade, que vem se perpetuando, principalmente, por meio da história oral.

Os Carolinos

No começo do século XX, por volta de 1917, Francisco Carolino (o Chico Calu) funda uma guarda para louvar Nossa Senhora do Rosário, a Guarda de Moçambique e Congo Sagrado Coração de Jesus – Irmandade Os Carolinos Nas cercanias do recém-criado município de Contagem, na divisa com Santa Quitéria — hoje, Esmeraldas — o lugarejo de Chico Calu era um pequeno arraial quase todo formado por fazendas até pouco tempo escravagistas. Lá, as origens do congado remetem a um passado muito mais distante e inexato. Sabe-se que existia ali uma lagoa grande que há muito secou, conhecida como Lagoa Seca, ponto de encontro de poderosos capitães da região. Em 1937, a guarda migra para Belo Horizonte com o filho de Chico Calu, Luiz Carolino, e firma sua sede no Bairro Aparecida, onde se encontra até hoje.

Hoje, a guarda fundada por Chico Calu é a terceira mais antiga da capital ainda em atividade. Trata-se de uma história de fé e de resistência. Há 100 anos, os descendentes de Francisco Carolino mantém a tradição afro-mineira e realizam festejos em homenagem a Nossa Senhora do Rosário, aos demais santos do panteão congadeiro, aos reinos negros e à ancestralidade. Eles também lutam pelo reconhecimento como Patrimônio Imaterial de Belo Horizonte, pelo tratamento de um córrego poluído que corta suas terras e pelo direito ao território sagrado que habitam, ameaçado por um projeto que prevê a remoção da comunidade e a construção de uma avenida no local.

Fotógrafo

Patrick Arley é antropólogo e fotógrafo. Atualmente, cursa doutorado em Antropologia pela Universidade Federal de Minas Gerais. Possui mestrado em Antropologia e graduação em Ciências Sociais pela mesma instituição. Com ampla experiência no campo da antropologia visual, possui diversos trabalhos no Brasil e em África (Moçambique), que dialogam com as culturas negras e populares. Já participou de exposições no Brasil, Moçambique e França


Congado em Belo Horizonte

Os reinados/congados negros com suas guardas (ou ternos) de moçambique, congo, caboclo, marinheiro, vilão e catopé, reapresentam nas ruas o mito fundador da retirada de Nossa Senhora do Rosário do mar pelos negros escravizados.

Esses grupos e irmandades estavam aqui bem antes do surgimento de Belo Horizonte, nas fazendas escravagistas que conformavam o antigo Curral Del Rey. A tradição dos congados também migrou para a cidade com a mão de obra operária vinda do interior para construir a nova capital.

Atualmente, dezenas de reinados/congados com suas guardas mantém nas periferias da cidade a riqueza desta tradição afro-mineira e por meio de festejos e visitas mútuas realizam o Ciclo Anual do Rosário na capital.

SERVIÇO

Exposição “Reinado de Chico Calu – Repertórios Sagrados da Irmandade Os Carolinos”

De 09/12/17 a 28/1/18
Rua da Bahia, 1201, Centro, Belo Horizonte
Gratuito
+ Info: 3213-4320 

Informações para a imprensa: Luz Comunicação – www.luzcomunicacao.com.br

Jozane Faleiro – 31 992046367 / 31 35676714- jozane@luzcomunicacao.com.br

Wandra Araújo – 31 999645007 – imprensa@jozanefaleiro.com

0 0 900 29 novembro, 2017 Agenda Cultural novembro 29, 2017

Sobre o autor

CEO e Fundador da 2/1 Revista Eletrônica, Relações Corporativas, Ombudsman, atuou no Jornal O GLOBO (GRUPO GLOBO), Diário da Tarde (Diários Associados), Diário do Comércio, Pohlig Heckel do Brasil (Grupo Belgo Mineira) e Diretor de Relações Públicas do Rotary Club.

Ver todos os artigos por Jean Hausemer

Postagens relacionadas

Artigos recentes

  • Ortega volta atrás em reforma da previdência na Nicarágua
    Ortega volta atrás em reforma da previdência na Nicarágua
  • Macron: não há “plano B” para acordo nuclear com Irã
  • Criminalidade na Alemanha teve maior decréscimo em 25 anos
  • Como a impressão 3D está revolucionando a indústria
  • Coladera inicia temporada dos shows no Brasil de seu novo disco, La Dôtu Lado
  • “BRINCAR DE MORAR EM LIVRO” TRAZ CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS PARA PÚBLICO DO MEMORIAL VALE
  • Vistoriam spa e ignoram os enjaulados