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O mineiro Ronaldo Silvestre finalmente estreia no Minas Trend e leva para a passarela referências culturais e memórias afetivas que traz no coração

Ronaldo Silvestre prima pelo trabalho artesanal regional em suas coleções, assim como o aproveitamento de matérias-primas e o fazer com sentimento

09 de Outubro de 2017 – Desfile da Marca ronaldo silvestre – Minas Trend Inverno 2018
– ZOEIRA – 11zo0201 – ZE TAKAHASHI FOTOSITE

Ao som de Maria Bethânia cantando “Uma Iara/ Uma Perigosa Yara”, Ronaldo Silvestre fez o seu primeiro desfile no Minas Trend. Apesar de ser natural de Minas Gerais só havia participado de três edições da feira de negócios dentro do evento.

Sob a óptica do design e estudando as estruturas da vitória-régia, o estilista mostrou uma coleção atemporal seguindo o movimento “slow fashion”, que aposta, acredita e defende, aliando sustentabilidade ao feito à mão do artesanal mineiro. Em grande parte das peças apresentadas, 90% delas, o destaque foi a utilização e o aproveitamento do passante da calça jeans.

“Muito desta estreia no evento aconteceu pela minha defesa do ‘slow fashion’ e do artesanal na moda brasileira. Digo que precisamos olhar nossas raízes e ver o que nossas mães e avós nos passaram e puxar como um estilingue, no âmago do ser e jogar para fora”, declarou.

Ceará

Outro ponto que o estilista acredita que também foi levado em consideração no convite foi o seu último desfile no Dragão Fashion Brasil, em Fortaleza.

“Foi estarrecedor para o público mineiro, pois levava a artesania mineira, o crochê e o bordado associados à cultura do evento de ser à frente do tempo. Eles viram e sentiram esta essência”, disse.

Ronaldo se considera um mineiro de coração cearense e sempre que pode utilizar poemas e referências culturais em suas coleções usa o recurso. “Há anos que, quando vou a Fortaleza, vejo na praia a estátua de Iracema e me lembra um conto que minha mãe lia para gente”.

Na coleção ele tenta passar estas lembranças que tem da essência da Clarice Lispector no conto da Perigosa Yara. “O jeans conversa no street com o moletom e vem feito à mão. Que conversa com a seda e, ainda, com a renda da anágua das velhinhas que retingi na jaqueta masculina o que cria um objeto de desejo”.

Agente transformador

O estilista se entusiasma quando diz que “temos que ter a cadeia de moda como agente de transformação e desenvolvimento, penso que uma marca bacana não precisa ir para China. Ela pode ser feita numa comunidade carente de Minas Gerais, no Sul da Bahia ou no Ceará em parceria. Sai um autoral com nossa identidade que conquista o mundo do jeito que a moda brasileira espera”, destaca.

Seu trabalho é muito bem aceito por compradores internacionais que buscam diferenciais no Brasil. “Nesta coleção tenho a flor que envolve o trabalho do jogo de mesa, uso o barrado de pano de prato substituindo a renda numa pegada mais forte com o jeans que vende e conversa com a moda global”.

Além do Brasil, Ronaldo vende suas criações na Espanha, Barcelona, Paris e Bélgica. “O diferencial das marcas brasileiras está no respeito pela identidade de cada local e as riquezas de materiais que a região oferece. Não adianta você ficar só no global se você não tiver o pessoal”, enfatizou Ronaldo.

Bob Store

Em um novo momento, a Bob Store passa a ser assinada pelos estilistas mineiros André Boffano e Sam Santos, da Modem. O que se pôde ver eram modelagens mais contemporâneas e modernas que prezam pela feminilidade e sofisticação. As grandes aposta são looks de alfaiataria em diferentes shapes e texturas, com recortes e amarrações. Além do trabalho em couro e diferentes tramas de tricôs. Destaque também para os modelos monocromáticos e os acessórios pesados, que conferem um ar sexy e cool às produções.

LED

A coleção Mixórdia segue a linha apresentada na última edição da SPFWn44 e traz para dentro de sua mistura a confusão, a possibilidade de conectar elementos convencionais a estruturas distintas. Para isso, a LED revisitou suas modelagens e mesclou umas com as outras, juntando o natural do linho, como o sintético do plástico, e o manual de crochês e tramas. Nas cores muita vivacidade com laranja, verde, azul e rosa. Com isso, novas possibilidades de texturas e recortes que chamam a atenção.

Anne Est Folle

As estampas autorais deram o tom do desfile que soube utilizar as propriedades dos tecidos encorpados associados aos diversos materiais nobres passando, ao mesmo tempo, delicadeza e força. A marca preza pela autenticidade e exclusividade das criações e assina os desenhos e shapes inusitados que transitam do simples ao sofisticado. Na passarela, azul marinho, preto, branco, verde escuro, tons de vermelho alaranjado vivo, cobre, dourado e turquesa acinzentado.

Chocker

O universo lúdico do figurino da Commédia dell’Arte, dos papéis de carta da artista japonesa Mira Fujita e do movimento New Romantics inspiraram a Chocker a trazer uma coleção certinha que destaca a figura do pierrot em estampas em moletons, maxi-tshirt e vestidos. A marca brinca com tecidos fluidos e estruturados que vão do crepe silkado às transparências, passando pelos veludos, tules, rendas, jersey plissado, organzas, couros tecnológicos, pele sintética, moletom e lã. Tudo com muita estampa manual ou digital.

Mollet

 

Com a proposta de abraçar e fazer uma roupa com “alma”, a Mollet vai além do moletom e trabalha o “slow fashion” com estilo e durabilidade, ressignificando matérias-primas na coleção 404. Na marca, o plástico e o tecido ganham novas histórias e têm sua existência e uso prolongados em looks ao mesmo tempo estruturados e leves. A coleção afirma o vermelho como tendência forte, o shapes oversized e as modelagens futuristas com referências à geração de confronto e transformação.

Fonte:Diário do Nordeste / por Carol Kossling – Repórter
11.10.2017

http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/zoeira/conexao-ce-bh-1.1833607
0 0 37360 30 outubro, 2017 2por1, Eventos/Moda outubro 30, 2017

Sobre o autor

CEO e Fundador da 2/1 Revista Eletrônica, Relações Corporativas, Ombudsman, atuou no Jornal O GLOBO (GRUPO GLOBO), Diário da Tarde (Diários Associados), Diário do Comércio, Pohlig Heckel do Brasil (Grupo Belgo Mineira) e Diretor de Relações Públicas do Rotary Club.

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