Após Tsunami, quase 300 espécies viajaram do Japão aos EUA
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Após Tsunami, quase 300 espécies viajaram do Japão aos EUA

Ciência e Saúde

Desastre de 2011 provocou maior e mais longa migração marinha já registrada. Milhares de moluscos, mexilhões e peixes atravessaram o Pacífico e ameaçam espécies nativas na costa americana.

Espécie marinha transportada por embarcação japonesa abandonada que chegou à costa de Oregon, nos EUA Espécie marinha transportada por embarcação japonesa abandonada que chegou à costa de Oregon, nos EUA

O tsunami que devastou a costa leste do Japão em 2011 fez com que quase 300 espécies marinhas viajassem através do Pacífico até o litoral dos Estados Unidos, na maior e mais longa migração marinha já registrada.

Um grupo de cientistas americanos realizou buscas em praias dos estados de Washington, Oregon, Califórnia, Columbia Britânica, Alasca e Havaí, onde rastrearam a origem das espécies até o Japão, segundo o estudo divulgado nesta quinta-feira (28/09) pela revista científica Science.

“Este acabou sendo um dos maiores experimentos naturais não planejados na biologia marinha – talvez na história”, afirmou o especialista John Chapman da Universidade Oregon State, um dos coautores do estudo, citado pelo jornal britânico The Guardian.

O tsunami, resultante de um terremoto de magnitude 9,0 no dia 11 de março de 2011, gerou em torno de cinco milhões de toneladas de escombros nos municípios de Iwate, Miyagi e Fukushima. Segundo os especialistas, 70% dos destroços se depositaram no fundo do mar, mas uma quantidade incontável de objetos flutuantes foi arrastada pelas correntes marítimas.

A chegada das quase 300 espécies japonesas à costa oeste dos EUA poderá causar sérios problemas caso esses organismos consigam se fixar no novo ambiente, se sobrepondo às espécies nativas.

“É um pouco do que chamamos de ‘roleta ecológica'”, disse James Carlton, professor de ciências marítimas da Williams College, o autor principal do estudo.

Os pesquisadores estimam que aproximadamente um milhão de organismos – entre eles peixes, moluscos e centenas de milhares de mexilhões – viajaram quase 8 mil quilômetros através das correntes do Pacífico Norte. Levará anos até que seja possível avaliar a sobrevivência desses seres e se conseguirão superar em quantidade as espécies nativas.

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O problema das espécies invasoras ocorre em todo o mundo, com plantas e animais sobrevivendo em locais onde não antes pertenciam. No passado, invasões marinhas danificaram espécies de moluscos, erodiram ecossistemas locais, gerando prejuízos econômicos e disseminando doenças.

“A diversidade [das espécies invasoras] foi algo que nos deixou boquiabertos”, afirmou Carlton. “Moluscos, anêmonas-do-mar, corais, caranguejos, uma ampla variedade de espécies.”

Os pesquisadores coletaram e analisaram destroços que chegaram à costa oeste americana ou ao Havaí nos últimos cinco anos, sendo que a chegada de mais escombros ainda era registrada em Washington nesta quarta-feira.

No ano passado, um pequeno barco japonês alcançou a costa do Oregon transportando vinte peixes nativos do oeste do Pacífico. Os animais, ainda vivos, foram conservados em um aquário do estado. Pouco antes, um barco de pesca japonês chegou intacto à costa americana com exemplares desses mesmos peixes nadando na parte interna.

Anteriormente, os destroços desse tipo eram compostos na maior parte por madeira e se degradavam durante a viagem pelo oceano. Hoje em dia, a maior parte é de materiais de plástico – como boias, barcos e engradados – que conseguem percorre longas distâncias, levando “de carona” espécies diferentes.

“Foram os escombros de plástico que permitiram que as novas espécies sobrevivessem em uma distância muito maior do que jamais pensávamos que podiam”, disse Carlton.

Fonte:Deutsche Welle

0 0 770 01 outubro, 2017 Acontecimentos outubro 1, 2017

Sobre o autor

CEO e Fundador da 2/1 Revista Eletrônica, Relações Corporativas, Ombudsman, atuou no Jornal O GLOBO (GRUPO GLOBO), Diário da Tarde (Diários Associados), Diário do Comércio, Pohlig Heckel do Brasil (Grupo Belgo Mineira) e Diretor de Relações Públicas do Rotary Club.

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