ÁLBUM TRAZ O UNIVERSO SONORO E SAGRADO DA CULTURA REINADEIRA
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ÁLBUM TRAZ O UNIVERSO SONORO E SAGRADO DA CULTURA REINADEIRA

O disco “Aparecida, Reinos Negros” reúne três reinados, popularmente conhecidos como congados, do bairro Aparecida em BH. Álbum, que será lançado no dia 23 de setembro (sábado) na Funarte MG, tem participação de Chico César, Fabiana Cozza, Mauricio Tizumba, Pereira da Viola e Sérgio Pererê

Lá vinha o cortejo dos negros, capitães e capitãs de bastão e espada na mão, atravessando a avenida Américo Vespúcio e convocando a força e a memória da ancestralidade. A manifestação de tradição e fé dos congados do bairro Aparecida, em Belo Horizonte, deram vida ao álbum “Aparecida, Reinos Negros”. Em suas 29 faixas, o disco reúne os reinados “Guarda de Moçambique e Congo Nossa Senhora do Rosário e Sagrado Coração de Jesus – Irmandade Os Carolinos”, “Guarda de Congo Feminino Nossa Senhora do Rosário” e a “Guarda de Moçambique do Divino Espírito Santo do Reino de São Benedito”. O lançamento do CD terá show de Sérgio Pererê e está marcado para o dia 23 de setembro (sábado), às 19h, na Funarte MG (Rua Januária, 68 – Centro). Ingressos a R$10.

Aproximar o público dessa cultura que segue marcando a existência afro-mineira na periferia de Belo Horizonte é a missão destinada a “Aparecida, Reinos Negros”. Além das guardas, o álbum conta com participações de Chico César, Fabiana Cozza, Mauricio Tizumba e Pereira da Viola. Sérgio Pererê, que assina a produção musical e a idealização do trabalho ao lado do produtor Elias Gibran, também participa de três faixas. O disco foi viabilizado por meio do Edital de Chamamento Público de Patrocínio a Projetos e Eventos CODEMIG 01/2017 e o show de lançamento faz parte do Projeto Ocupação dos Espaços de Música na Funarte de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo.

Belo Horizonte, BRAZIL – AUGS 17: Festejo do Tambor Mineiro
(Photo by Netun Lima)

Aparecida, Reinos Negros” traz a variedade rítmica das guardas de moçambique e congo, como marcha-grave, moçambique serra-acima, moçambique serra-abaixo, dobrado, compassado e parasero, e os instrumentos tradicionais de cada uma como tambores, gungas, patangomes e sanfona. Os pontos/músicas interpretados por capitãs, capitães, caixeiros e dançantes foram e são perpetuados e transmitidos pela tradição oral de cada reinado. Neles, estão representados o cotidiano de devoção a Nossa Senhora do Rosário, aos santos negros e aos antepassados, a celebração da festa como marco maior da vivência da fé e o lamento e a resistência do povo negro atravessando os tempos.

Aparecida: muito mais que um território

Criado em 1928 sob o nome Vila Maria Aparecida, o bairro Aparecida compõe o conjunto de bairros operários que, ainda que localizados próximos ao Centro, sempre estiveram muito à margem dele. Os três reinados do Aparecida remontam aos reinos negros que se conformaram no Brasil e que participaram da recriação de significados, laços familiares e práticas de fé no contexto da resistência à escravidão. São também reminiscências das tradições do antigo Curral Del Rey e do repertório religioso-cultural trazido pela mão de obra vinda do interior para a construção da nova capital.

Reinados

As guardas de congado, em seus cortejos, reinterpretam nas ruas o mito fundador da aparição e retirada de Nossa Senhora do Rosário do mar pelos negros escravizados. Durante todo o ano, as guardas percorrem os diversos festejos de Belo Horizonte e de cidades vizinhas, em um movimento de visitas mútuas que compõem o ciclo anual do Rosário. As três guardas do bairro Aparecida são guardiãs desses saberes. Em 1937, quando Luiz Carolino refundou a Irmandade Os Carolinos, que Chico Kalu criara em 1917 em Contagem, a Avenida Américo Vespúcio, a principal do bairro, ainda era rio. A Irmandade é a terceira mais antiga da cidade ainda em atividade. Já o Congo Feminino do Aparecida é formado por filhas e netas dos fundadores da Guarda de Congo de Nossa Senhora do Rosário (“Guarda dos Caducos”), que existiu no mesmo bairro, de 1940 a 1976, e bateu pela primeira vez em 1973, a despeito da imposição que tanto ouviam – “Congado não é coisa de mulher”. Desta é que surge a Guarda de Moçambique do Divino Espírito Santo do Reino de São Benedito, fundada em 1996. Juntas, mantém viva a tradição dos reinos negros no bairro operário.

FICHA TÉNICA

O disco foi idealizado por Sérgio Pererê e Elias Gibran, e todas as etapas de sua concepção e produção foram construídas de forma colaborativa com integrantes das guardas participantes. Gravado, mixado e masterizado no Estúdio Casa Antiga por Fabrício Galvani, em Belo Horizonte -MG, entre abril e junho de 2017, com exceção das músicas “Chamado” e “Rosário dos Pretos” que foram gravadas e mixadas por André Cabelo no Estúdio Engenho, e “Tambores”, gravada por Jeremias Straitjer no Estúdio Chita.

Produção musical: Sérgio Pererê

Gestão e produção executiva: Elias Gibran (Napele Produções Artísticas)

Design: Maria T Morais e Mariana Misk (Oeste)

Fotos: Rafael Mota / Texto: Júlia Moysés

Participações especiais: Chico César, Fabiana Cozza, Mauricio Tizumba, Pereira da Viola e Sérgio Pererê

SERVIÇO

Aparecida, Reinos Negros

Lançamento do CD

Guarda de Moçambique do Divino Espírito Santo do Reino de São Benedito
Guarda de Moçambique e Congo de Nossa Senhora do Rosário e Sagrado Coração de Jesus – Irmandade Os Carolinos
Guarda de Congo Feminina de Nossa Senhora do Rosário

Show com Sérgio Pererê

Data: 23/9, sábado / Horário: 19h

Local: Funarte MG (Rua Januária, 68 – Centro)

Ingressos: R$10

Informações: 31-3213-3084

0 0 1170 14 setembro, 2017 Agenda Cultural setembro 14, 2017

Sobre o autor

CEO e Fundador da 2/1 Revista Eletrônica, Relações Corporativas, Ombudsman, atuou no Jornal O GLOBO (GRUPO GLOBO), Diário da Tarde (Diários Associados), Diário do Comércio, Pohlig Heckel do Brasil (Grupo Belgo Mineira) e Diretor de Relações Públicas do Rotary Club.

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