Um momento de paz. E um nobre exemplo
Publicado por

Um momento de paz. E um nobre exemplo

                                                                                      Artigo 25.09.2017      

                                        Um momento de paz. E um nobre exemplo

O STF lavou mais uma vez as mãos ao votar, sem analisar, pelo encaminhamento para a Câmara dos Deputados da nova denúncia do ex-Procurador Geral contra Temer. Apenas uma voz, a do ministro Gilmar Mendes, o que fala, quase sempre, o que todos pensam, às vezes com exagero, mas com coragem, divergiu. Dois, Alexandre de Morais e Fachin, fizeram ressalvas, mas não foram adiante. Foi melhor assim. A Câmara vai rejeitar a denúncia e Temer, de outra forma, ficaria sangrando e o país naufragando.

O PAÍS, apesar do STF,  está mais tranquilo. Já não dorme preocupado com o que enfrentará no dia seguinte. O nervosismo, a insegurança, diante de  denúncias movidas quase sempre por inimizades, acabou.  É o que todos percebem. Até midiáticos que colaboravam para aumentar o nervosismo, dando cobertura ampla e gratuita (sic) aos provocadores habituais, parecem estar mais contidos.

RACHEL Dodge, a nova PGR, é a responsável pelo apaziguamento. É ponderada, austera, discreta em suas aparições e em seus pronunciamentos, sem perder a firmeza e a submissão aos termos e limites das leis. Mantém o mesmo comportamento que adotou em seus trinta anos de atuação como procuradora concursada e doutorada em importante universidade norte-americana.

SEU discurso de posse, sem arroubos grandiloquentes, sem estardalhaços, deu o tom do que se pode esperar de sua atuação em momento tão grave, tão controvertido da vida nacional e da própria PGR. Foi uma aula de bom senso, de equilíbrio, de harmonização, tudo  de que tanto carecíamos e desejávamos, depois de um longo período de instabilidade provocada.

POR que agir de outra forma, com empáfia, com ameaças vazias, com pronunciamentos arrogantes, com a busca de notoriedade, com entrevistas, convocadas ou insinuadas, para divulgação por jornais e redes de tv, todos os dias, em todos os horários dos noticiosos televisivos? Por que tumultuar, com suposições e ameaças despropositadas, o ambiente político e jurídico já  intranquilo nos últimos tempos? Qual o objetivo dos que assim estavam se comportando, como se fossem donos absolutos da verdade? Seria para inviablizar os projetos de recuperação da economia, do país? Ou por razões eleitorais visando 2018? Ou por motivos subterrâneos inconvenientes?

 

FELIZMENTE, surgiu no cenário conturbado quem poderia corrigir, apaziguar, botar ordem, respeitabilidade e obediência aos preceitos constitucionais e legais que regem a importante missão dos que integram a nobre instituição dos poderes da República. Esta a esperança de todos, em face de uma mulher meiga, doce no olhar e na fala, rigorosa na aplicação correta e discreta do que as leis do país dispõem.

PARA acompanhar a nova era iniciada na segunda-feira, precisamos  esquecer as agruras dos últimos meses, buscando fatos e atos que mostrem que nem tudo está perdido, aqui e acolá. Emblemático, emocionante, o que aconteceu no meio da tragédia provocada pelo furacão Harvey no sul dos Estados Unidos. Tenho experiência pois já enfrentei um, o DOT, bem menos agressivo mas igualmente perigoso, em um setembro distante, com Rachel (não a Dodge, mas a minha), nos longes de Taipei, Taiwan, lá perto da China. Felizmente, passou e sumiu no horizonte.

O HARVEY arrasou cidades, alagou, destruiu casas, ruas, estradas. Muitos morreram, muitos ficaram feridos. Uma das regiões mais atingidas foi a do Texas, provocando a fuga de moradores, como aconteceu em Houston. Homens, mulheres, crianças foram levadas para locais mais seguros. O medo que se transformou em pânico, foi alucinante,  relatou um amigo que estava naquela cidade e que conseguiu escapar, impressionado com a ordem, a disciplina, com que foi feita a evasão.

OS que sairam de Houston, e de seus subúrbios, escaparam como puderam e levaram o mínimo que poderiam transportar. Mas deixaram para trás, que tristeza,  por falta de outra opção, os cães e gatos que  abrigavam em suas casas. Assustados, indefesos, eles estavam sendo carregados pelas águas que inundaram tudo. Mas o norte-americano, apesar do que dizem os detratores e invejosos, é dotado de profundo espírito solidário. A morte de centenas de animais seria inevitável se uma empresa aérea, a

, guardem seu nome, não decidisse tentar salvá-los.

UM jato foi destinado para a missão. Conseguiu pousar no aereoporto de Houston, e dele desceram seus tripulantes, o comandante entre eles, e voluntários que se prontificaram para a missão de salvamento. Com caixas, gaiolas,  percorreram as ruas alagadas recolhendo das águas centenas de cães e gatos. Salvaram os que conseguiram recolher, colocando-os, molhados e assustados, na cabine de passageiros. O comandante foi o último a embarcar, e estava com um cãozinho no colo. A missão humanitária livrou da morte certa por afogamento, frio e desnutrição centenas daqueles indefesos seres vivos que jamais conseguiriam sobreviver à tragédia.

E ME permito dar mais detalhes, para que sirvam de exemplo para todos, os egoistas especialmente. O que aconteceu lá pode acontecer em qualquer lugar. O jato da Southern levou todos para o Helen Woodward Animal Center, em San Diego, California, longe do Harvey, com a ajuda da Operation Pets Alive, instituição assistencial do Texas. E ainda: empresas aéreas dos EUA disponibilizaram aeronaves para, cobrando apenas US$ 98 por passageiro, transportar os que buscavam escapar do Harvey.

UM emocionante exemplo de solidariedade. E que relato, como me foi contado pelo meu amigo sobrevivente, para incorporar meus escritos, quase sempre contaminados pelo cenário agressivo que dominou os acontecimentos dos últimos meses, ao momento de paz, de tranquilidade, de harmonia reconquistado com, e “pour cause”, Rachel Dodge Que não seja apenas por um momento, mas que permaneça para todo o sempre. Amém.

                                                                            Blog: fabiopdoyle.zip.net
Fábio P. Doyle
Da Academia Mineira de Letras
Jornalista

Colunista / Colaborador da 2/1 Revista Eletrônica

0 0 1710 25 setembro, 2017 2por1, Cultura Organizacional setembro 25, 2017

Sobre o autor

CEO e Fundador da 2/1 Revista Eletrônica, Relações Corporativas, Ombudsman, atuou no Jornal O GLOBO (GRUPO GLOBO), Diário da Tarde (Diários Associados), Diário do Comércio, Pohlig Heckel do Brasil (Grupo Belgo Mineira) e Diretor de Relações Públicas do Rotary Club.

Ver todos os artigos por Jean Hausemer

Postagens relacionadas

Artigos recentes

  • PSL oficializa candidatura de Bolsonaro à Presidência
    PSL oficializa candidatura de Bolsonaro à Presidência
  • Forças armadas alemãs consideram recrutar estrangeiros
  • Arthur Melo faz show de pré lançamento do seu novo disco em BH
  • Israel resgata na Síria membros de grupo de socorro
  • BH se rende a “malandra” Anitta – 4 de agosto
  • Irã ameaça EUA com “mãe de todas as guerras”
  • O frio causa desânimo. Mas não é só ele